As dores do dia

As dores do dia

por Arq. Yuri Vasconcelos . out 2017

É quase insondável a origem do mau humor no fim do dia, ou da semana. A investigação, se for levado à cabo, requer um momento consigo mesmo. Uma análise voltada para o interior. Por que está irritado? Se for sincero e meticuloso, poderá descobrir que está com fome. Ou algum sapo que tentou engolir e está entalado na garganta. Algum pequeno desejo não realizado, talvez. A análise vai desembocar, quase sempre, em um desconforto físico ou emocional não óbvio, mas que incomoda. Como uma minúscula farpa alojada sob a pele. Desconfortável, mas sem saber onde ou o quê.

Uma das dores que cutucam sutilmente a paz do corpo durante os dias são aquelas que nascem e são cultivadas no ambiente de trabalho. Sem perceber, a postura inadequada em cadeiras, mesas, banquetas e todo aparato laboral pode provocar até mesmo o afastamento da pessoa das atividades, devido à gravidade da situação de saúde. Dores nas costas, LER (Lesão por Esforço Repetitivo), mialgia, problemas de visão são algumas das doenças ocupacionais que podem estar gerando o incômodo invisível de onde brota o mau humor, afeta o relacionamento com os outros em casa ou no trabalho e, por fim, debilita o corpo a ponto de precisar de algum tratamento.

O problema não é apenas posturas corporais inadequadas durante o trabalho, seja em frente a um computador ou em pé durante horas. O mobiliário deve ter medidas com relações precisas entre a altura do assento da cadeira, do braço da cadeira, apoio lombar, para a cabeça, inclinações e amortecimentos adequados, altura da superfície de trabalho, distância até o monitor conforme o tamanho da tela, e assim por diante. Se a mobília não estiver de acordo com as medidas ergonômicas ideais, pensadas para o humano passar horas em determinada posição, então o inimigo estará ainda mais camuflado. Mesmo que a postura corporal esteja correta, e o sujeito pare a cada 30 minutos para se alongar, fazer yoga e comer uma fruta, as incorretas proporções do mobiliário vão continuar atuando na construção gradual das dores ocupacionais. E já que se passa mais tempo sentado do que em qualquer outra postura no ambiente de trabalho, a dor acaba vencendo. É inevitável. O lado mais perverso disso é que estas doenças são geradas de forma muito lenta e gradual, sem que a pessoa consiga senti-la efetivamente para descobrir sua origem. Se assim fosse, poderia diagnosticar melhor o problema e eliminar a fonte do desconforto. No final do dia, depois de brigar com seus filhos e com o cachorro, você nem desconfiaria que sua bonita cadeira de couro no escritório é a fonte de seu estresse.  

A escolha de mobiliário corporativo deve levar em conta a saúde física e, por consequência, o estado emocional que uma eventual doença ocupacional pode produzir. Este é um dos principais pontos que diferenciam uma boa cadeira de outra apenas bonita. É muito tentador comprar um produto pela internet, com preço muito mais baixo. No entanto, mobiliário de qualidade é mais caro justamente por oferecer tecnologia mais avançada baseada em estudos ergométricos, e utilizar materiais de alta qualidade. Não apenas para durar mais tempo, mas também para preservar a saúde física e psicológica dos seus usuários.

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