O ser humano como medida de excelência

O ser humano como medida de excelência

 

Leonardo da Vinci. Vitruvio. Proporção Áurea. Revolução Industrial.

Um giro pela história com foco no corpo humano. Como estudos antropométricos são fundamentais na ocupação de espaços.

 

Normalmente o uso de produtos como móveis é feito de forma automática sem vir à mente pesquisas e testes realizados antes de sua fabricação e lançamento no mercado. No entanto, algumas empresas buscam algo além das normas básicas, elas realizam pesquisas mais profundas e práticas para adequar seus produtos a diferentes perfis de clientes e novas situações de uso.

De acordo com o filósofo Protágoras, o humano é a medida de todas as coisas. Desde a antiguidade, as proporções do corpo humano são objetos de pesquisa das civilizações e influenciam muitas áreas do conhecimento.

Na realização dos projetos de mobiliário, é essencial levar em consideração a média do biotipo da população. A partir desses dados, é possível atender necessidades visuais, táteis, cognitivas e de mobilidade, permitindo antever como as pessoas perceberão o espaço e seu entorno e como poderá ser harmonizado o ambiente para todos.

 

Homem Vitruviano

 

Para Vitruvio, quando a arquitetura segue a proporção das partes, forma-se um todo harmonioso. Para ele, as formas e construções deveriam considerar alguma proporção ou semelhança, como por exemplo o corpo humano.

Na famosa ilustração de Leonardo da Vinci conhecida como ‘’Homem Vitruviano’’, as teorias de Vitruvius são apresentadas através de uma figura humana circunscrita em um círculo e em um quadrado de forma integrada. Nela, quando estendidos os braços, a medida obtida entre as mãos de uma pessoa tem equivalência a sua altura, o que demonstra a proporcionalidade entre as partes do corpo, formando um interessante conjunto que cabe em um círculo e em um quadrado.

Na imagem é possível notar que braços e pernas do corpo humano estão divididos por linhas retas cujas distâncias são proporcionais à razão matemática 1,618, conhecida como NÚMERO DE OURO, PROPORÇÃO ÁUREA ou ESCALA DE DEUS. O corpo humano de biotipo normal tem todos os seus membros, localização dos olhos, narinas, coração, genitália, hipófise, umbigo, etc rigidamente distantes entre si na proporção 1,618, ou seja, todas as partes do corpo humano são proporcionais entre si em arranjos matemáticos que serão múltiplos do número de ouro. A pluralidade de arranjos que a Escala Áurea permite pode ser vista em todos os animais, de macro a micro, absolutamente todos os organismos estão regidos por esta proporção matemática que permite infinitas formas, todas múltiplas de 1,618.

Além da natureza, o ser humano aplicou a Escala Áurea em várias de suas obras, desde ocas de indígenas amazônicos, iglus de esquimós, passando por Machu Picchu, pirâmides do Egito ou mesmo Astecas, pedras de Stonhenge e palácios imperiais japoneses, chineses e indochineses, possuem proporções múltiplas de 1,618. Isto se dá pela prática da harmonia, ou seja, o que for mais harmônico para nós tende a ser múltiplo do número de ouro. Os exemplos mais notórios de aplicação desta escala foram dados pelas civilizações greco-romana, através da sua arquitetura integralmente calculada sobre a Proporção Áurea. Atualmente, vários edifícios modernistas são construídos seguindo esta razão matemática, a exemplo da Sede da ONU e de recentes obras de grandes edifícios pelo mundo, onde todos foram ajustados ao ser humano em escala áurea.

O homem em sua diversidade

A partir da década de 60, em consequência da Revolução Industrial e das guerras mundiais, muita coisa mudou na sociedade e esses conceitos começaram a ser vistos de maneira diferente. A ergonomia ganha destaque e passa a ter sua importância reconhecida.

Questionamentos sobre a relação do homem com a máquina, a relação do homem com o seu ambiente de trabalho, a produtividade desejada e os recursos para que se produzir cada vez mais com menor esforço, fazem da ergonomia o estudo da possibilidade e limites do desempenho do homem no trabalho.

Impulsionados pelo entendimento de que os homens não são todos iguais, a “figura humana bem constituída” de Vitruvio precisava ser substituída pelo homem real, respeitando e analisando diversidade das capacidades físicas, locomotoras, sensoriais e cognitivas de cada cultura. Passa-se a exigir que o homem fosse aceito como um indivíduo em constante evolução.

Considerar as medidas das partes do corpo humano nos possibilita conhecer no projeto de um mobiliário a  área de alcance, a mobilidade, o uso e o acionamento do móvel. Por exemplo: a altura da mesa de trabalho (que vai de 70 a 75 cm) está diretamente relacionada à altura do antebraço da média dos usuários, assim como a altura da cadeira (42 à 45 cm) regula a altura necessária para alcance da mesa.

Todas essas alturas podem ser ajustáveis de acordo com a proporção do corpo humano, como por exemplo a altura ideal da mesa de trabalho, que pode ser definida com um simples cálculo: basta multiplicar a altura equivalente à parte da perna abaixo do joelho (aproximadamente 45 cm), pelo número de ouro 1,618, que será obtido a altura aproximada de 73 cm, altura dentro da faixa ideal para uma mesa de trabalho. Ou seja, escolha um ponto onde o ser humano tocará, meça-o e multiplique por 1,618, assim, todas as respostas médias de ergonomia serão encontradas. Porém isto é apenas uma base universal, um começo, ajustes finos e condições de comportamento culturais mudam a maneira como as pessoas se relacionam com os produtos e o mundo, sendo assim, a Escala Áurea rege parte da vida e a cultura, a outra parte.

Outro exemplo é analisar as diversas posições cotidianas de um grupo de pessoas e aplicar nos projeto de mobiliários os requisitos de ergonomia. Sentadas ou em pé, as pessoas terão a altura das mãos dentro do que chamamos de “eixo de excelência”, acessível por qualquer usuário independente da sua posição. O eixo de excelência está entre 0,80 m e 1,10 m de altura do chão, que corresponde à média da altura do umbigo das pessoas, o ponto inicial da construção do restante do corpo humano e, também exatamente o ponto central da figura do HOMEM VITRUVIANO. Dentro desse eixo de excelência são dispostos objetos como maçanetas, puxadores, pegadores, barras de apoio, corrimão, acessórios, e aparadores, com a altura ideal de alcance.

 

Eixo de excelência. Imagem de Human-Reification © Paul Gisbrecht

 

Atender conjuntamente as necessidades funcionais do maior universo de usuários é praticar um design inclusivo.

 

A criação de um mobiliário corporativo adequado desempenha um papel de extrema importância na inclusão de pessoas com diferentes biotipos nos ambientes de trabalho. A arquitetura e design são ferramentas importantes para este propósito. A primeira, presente nos espaços edificados dos escritórios, tais como rampas, elevadores, altura de janelas, revestimentos de piso, cores, iluminação, circulação e mobilidade. A segunda, às vezes até mais importante que a primeira para o bem-estar e saúde das pessoas, está presente nos mobiliários e equipamentos de trabalho, seja nas dimensões de mesas, nas cadeiras confortáveis e ergonômicas, nos modelos e quantidades de armários; como nos espaços para equipamentos como computadores, aparelhos telefônicos, impressoras e no gerenciamento de cabos e periféricos.

Design exclusivo. Design inclusivo. Premissas da Funcional Mobiliário corporativo ao desenvolver e fabricar seus produtos. Compromisso de agregar tecnologia de fabricação a estudos de ergonomia. Resultado? Produtividade e satisfação aos ambientes corporativos.

Realizamos móveis e pessoas!

 

 

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