Síndrome de Peter Pan no mundo corporativo

Síndrome de Peter Pan no mundo corporativo

Entrar em um grande escritório corporativo e encontrar redes na sala de espera, um tobogã comunicando pavimentos e uma quitanda no lugar da tradicional copa. Este tem sido o cenário, cada vez mais comum, encontrado na nova arquitetura corporativa, especialmente nas jovens empresas de tecnologias e startups.

Em nome de uma relação mais saudável entre o trabalho, funcionários e metas, mas sem esconder o objetivo principal: produzir mais e melhor. Já há críticos e arquitetos que analisam que essa tendência foi longe demais, chegando a infantilizar o ambiente de trabalho. Para constatar isso, basta dar uma olhada no novo campus da Apple, projetada pelo escritório de Sir Norman Foster. Uma elegante austeridade em forma de nave espacial que abriga um imenso bosque em seu interior, sempre visível dos escritórios através dos panos curvos de vidro. Neste projeto, Norman Foster reafirma que o papel do escritório é ser agradável e belo sem ser, no entanto, uma brincadeira efêmera. Ao que tudo indica, a onda dos escritórios divertidos não passa de um experimento passageiro, feito por e para jovens.

Como se comportarão estes espaços excessivamente descontraídos quando os funcionários envelhecerem e não puderem mais, por exemplo, escorregar no tobogã para chegar à sala de reuniões numa casinha da árvore?

A qualidade de um ambiente de trabalho saudável está ligada diretamente às relações que o ambiente estabelece entre todos e o conforto oferecido ao indivíduo. Por isso um mobiliário confortável ao longo das horas, que funcione de forma confiável e proporcione integração à equipe equilibrada com a privacidade que todo indivíduo precisa é, provavelmente, mais fundamental que a reconfiguração completa de um escritório atrás da tendência mais recente.

Créditos Imagens: PHOTOGRAPHERMIKAEL JANSSON/WSJ MAGAZINE

 

No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.